O problema não está em não conversar com os pais, está no fato de não querer conversar. Será tão difícil assim manter uma relação aberta a ponto de confiar plenamente neles? Quando digo ‘confiar’ não estou me referindo à confiança infantil – de proibir que fale para assim ninguém descobrir ou de desejar manter aquele segredo como eterno -, falo da confiança que não julga. Aquela que escuta, presta atenção, e mesmo não concordando com aquilo que fez não te massacra, não te arruína. Refiro-me àquela que te faz perceber o erro e te fornece coragem para seguir enfrente e corrigi-lo.
Deve ser decepcionante descobrir que seu filho não conta mais o que acontece com ele. Como não se preocupar? Como poderiam confiar nas suas decisões se nem ao menos ‘seus bebês’ tem coragem de dizê-las? Como não se sentir solitário, fraco e tristemente chateado consigo mesmo por sua criação, pelo seu ventre, ter cortado o cordão umbilical sem nem ao menos avisar.
Sim, foi um susto a primeira vez que ele chegou bêbado em casa. Achara que o mundo havia acabado, que havia falhado como mãe. Para você, esse era meio caminho andado ao alcoolismo e até mesmo para as drogas. Criou situações na sua cabeça, inventou atitudes que ele poderia ter que o arruinaria – e assim, te arruinaria -, alimentou pesadelos e prometeu concertar o seu suposto erro como responsável. Colocou-o de castigo, fez juras de não o perdoar, chorou na sua frente para que assim, esse insensível, percebe-se o quão dolorido ele deixara seu coração, o quão preocupada você estava.







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