Artigo anterior traduzido.

Ao viajar para um país diferente, seu senso crítico referente à sua origem fica apurado. Passamos a comparar os mínimos detalhes como roupas, faróis nas ruas e as cores da vegetação.

Assim, se migramos com a intenção de morar no lugar por um período, além da fascinação com o novo, o medo e a saudade da família e dos amigos se tornam presentes.

Com a nova rotina, a única alternativa para o viajante é se adaptar.

Meu país de origem, o Brasil, fica na América do Sul e, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) tem 191 milhões de habitantes.

É o quinto maior país do mundo e, diferente do que muitos imaginam, não se resume ao futebol, samba e carnaval.

Na cidade de São Paulo, por exemplo, há cerca de 10 milhões de habitantes. Além do grande número de pessoas, as dificuldades do município se tornam proporcionais.

O transporte público é insuficiente, já que as cidades da região metropolitana do estado também fornecem mão-de-obra para o município. A frota de veículos, por volta de 6 milhões só na capital, ajuda para o caos no fluxo da cidade que se reflete no atraso e superlotação dos ônibus nos horários de picos (das 8h às 10h e das 18h às 20h).

Como andar de bicicleta é perigoso – por causa da falta de educação dos motoristas –, a população não cogita essa possibilidade.

Comparar a Alemanha com o Brasil é complicado. As diferenças entre os países são gritantes. Um dos maiores contrastes está nas classes sociais.

Na classe média, por exemplo, o trabalho, que dura de seis a oito horas diárias, é uma batalha frequente para pagar os gastos, impostos e os estudos dos filhos, já que a escola pública peca em qualidade.

Seguindo esse raciocínio, quem se esforça mais, cresce no trabalho. O problema acontece nas classes baixas, onde a oportunidade de melhora é rara.

De acordo com o jornal brasileiro “Folha de S. Paulo”, 14 milhões de pessoas são analfabetos. A escola fundamental, por exemplo, forma um em cada dois brasileiros.

Esse é o ponto principal em que o governo falha. Sem estudo, o resultado é pouca informação difundida, pouca conscientização e pouca opinião própria e crítica.

A organização alemã é um exemplo. O transporte público segue o horário e os compromissos são realizados na hora marcada.

Essas são características difíceis de encontrar no Brasil. No caso dos paulistanos, nome dado aos moradores da cidade de São Paulo, a pressa é sua companheira. Sempre andam rápido para chegar a tempo para tudo, mas comumente chegam atrasados.

A organização do país pode ter muitos pontos negativos, mas o povo brasileiro é o que costuma ser o que se leva de mais positivo. Simpático, prestativo, acolhedor e criativo. Sem falar na miscigenação. Você vê chineses, italianos, espanhóis, japoneses, africanos, portugueses, alemães e austríacos e todos brasileiros.

Tal mistura de povos e culturas torna o país uma experiência única em carisma, música e interação social.

Além de tudo, as belezas do Brasil são incomparáveis. A natureza do país tropical, suas praias e temperatura amena. Para quem não gosta, a região sul tem belas montanhas, frio e um ótimo churrasco.

Como é um território grande, muitos habitantes falam só a língua portuguesa. Muitos não sabem falar inglês ou qualquer outra língua. Mas o brasileiro é um povo alegre, que ama conversar, conhecer gente nova e que não mede esforços para ajudar sorrindo.